Na Chuva


A chuva tocava-lhe no rosto, ele não se importava, até gostava da sensação. A água fina a cair-lhe na face e escorrer pelo resto do corpo, já encharcado. As roupas que trazia vestidas não eram propriamente impermeáveis e estavam agora ensopadas e pesadas devido à água.

Adorava aquelas ruas, estreitas, sem passeios e com o chão de paralelos já lisos. Delimitada pelas casas antigas de cada lado da rua, um caminho percorrido por inúmeras pessoas a pé, depois carroças e agora carros. Uma calçada intemporal que guardava memórias de tempos idos.

Andou um pouco mais, chegou a um pequeno largo com um chafariz, e sentou-se num banco de madeira, o banco aparentava ter algumas dezenas de anos, não tantas quanto o chão onde este estava. Tentou não pensar na chuva que não cessava o fogo sobre a sua cabeça.

Libertou a mente de tudo o que era banal, apenas ecoavam os versos de uma música antiga, que tal como o banco vivia já há muito tempo, e como a calçada, havia de viver muitos mais.

Tentou pensar no sentido da sua vida e no rumo que queria levar. Tomou uma decisão, levantou-se e partiu.

Nunca mais seria o mesmo!

12 comentários:

Daniel Silva (Lobinho) disse...

Lindíssimo o texto, a introspecção, a nostalgia da chuva que tanto gosto, os pensamentos que afluem como que obrigamndo a pensar com a doce serenidade de um tempo de recolhimento, uma chuva que molha mas gratifica, um banco que ninguém quer naquele momento e que, tal como a chuva, se torna amigo momentâneo.

Revejo-me. Muito. So nao tenho forças para mudar. Ou talvez tenha e nao consiga...

Nao fazia ideia que este blogue tinha sido removido aparentemente pelo caso Obama. Obama é outro Abraham Lincoln e o mundo nao sabe estar agradecido....

Abraço e se puderes ainda hoje participar de um encontro de bloguistas que nao se conhecem entre si, tal como nos dois, entao vê o link no meu blo, é em Santos, no restaurante Boka de Santos, e podes ligar para o meu numero caso precises de te orientar.

Um abraço

Catarina disse...

Está perfeito *

:)

vida-imperfeita disse...

Muito bom! Ainda bem que voltáste à blogosfera! ;)

Beijinhos

Anónimo disse...

Joãozinho...
Já te tinha dito que tinha adorado, mas volto a dizê-lo aqui.
ADOREI =D
Beijinho
Sara

Rafeiro Perfumado disse...

Nunca mais voltaria a ser o mesmo. Claro que não, nem que fosse à conta da pneumonia que apanhou, por andar feito parvo à chuva!

seni disse...

Joao Érre,
qual foi a decisão?
Tu vê lá em que é que te metes!

Beijinhos

ps: o texto está bonito, sim senhor. É autobiográfico?

SB disse...

Adorei o texto. Parabéns! A atitude de cada um de nós deveria ser sempre a que imprimiste em cada uma das frases deste post... Porque depois de cada chuvada... o sol volta sempre a brilhar!

Xi-<3!

anie disse...

o 'entrar dentro de nós mesmos', vermo-nos, tem séria sabedoria!
qnd os dias surgem mais negros, com mais espinhos, sentimos a necessidade de nos sentarmos e olharmo-nos, olhar o que sucede muitas vezs sem termos poder na materia.

beijooo

Filipa disse...

É só para dizer que resolvi ultrapassar a vontade de bater em computadores, e criei um espacinho. Vai lá dar um salto, vá.

Filipa disse...

Vê lá tu não me assustes com aquela coisa do stalker americano! eheh

Angie disse...

adorei:)
a descriçao pormenorizada consegue fazer milagres num texto, consegue dar-lhe vida e fazer-nos imaginar nesse lugar*

pinguim disse...

fez me ouvir a musica da mariza.

Enviar um comentário